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segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Sobre um agora, que em outrora, julguei incapaz.

 Fazia tempo em que a noite não me tocava, voltei a compor e a escrever depois de tanto tempo perdida dentro da vastidão da minha mente. Não havia oportunidade de apenas existir, precisava lutar pra sobreviver e garantir o fôlego do amanhã. Agora tirei tantos entraves, enfrentei tantos demônios... 
De fato aprecio as pausas e leio entrelinhas, traduzo o silêncio, sinto e entendo os gritos do universo. Para além de mim, fora de mim, da minha solidão bem vivida, eu a vi e quis e a quero. 
Nosso encontro foi tão leve e tranquilo, me senti em casa, e são poucas as pessoas no mundo que me fazem sentir em casa. Nossas mãos dançaram enquanto a gente aproveitava a nossa presença, e muitas vezes é só o que a gente precisa. Dançar com as mãos, o carinho de dedo.
Nessa altura, mesmo sendo poeta, achei que não me cabia mais me sentir assim, numa presença tão afável que me desarma e me apavora, pois não tenho controle, não tenho a necessidade de ter controle. Ela é o mar que achei que precisava buscar, ela é profunda e misteriosamente linda e sensível. Ela se esconde e se protege e com total razão. Não por mim, precisamente, mas por tantos outros danos. Eu comecei esse texto falando de mim e estou terminando falando sobre ela e isso diz muito sobre o meu agora, leve, sorridente e curiosamente ofegante, uma verdadeira surpresa vinde a quem só queria desfrutar da solitude.